Poemas e Poesias


30/12/2006


AOS AMIGOS E AMIGAS LEITORES DESTE BLOG,

DESEJO QUE 2007 SEJA UM ANO DE MUITAS ALEGRIAS PARA TODOS.

ABRAÇOS E BEIJOS,

JORGE TADEU

Escrito por Jorge Tadeu às 18h42
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Três presentes de fim de ano

        I

Querida, mando-te
uma tartaruguinha de presente
e principalmente de futuro
pois viverá uma riqueza de anos
e quando eu haja tomado a estígia barca
rumo ao país obscuro
ela te me lembrará no chão do quarto
e te dirá em sua muda língua
que o tempo, o tempo é simples ruga
na carapaça, não no fundo amor.

        II

    Nem corbeilles nem
    letras de câmbio
    nem rondós nem
    carrão 69
    nem festivais
    na ilha damores
    não esperes de mim
    terrestres primores.
    Dou-te a senha para
    o dom imperceptível
    que não vem do próximo
    não se guarda em cofre
    não pesa, não passa
    nem sequer tem nome.
    Inventa-o se puderes
    com fervor e graça.

        III

Sempre foi difícil
ah como era difícil escolher
um par de sapatos, um perfume.
Agora então, amor, é impossível.
O mau gosto
e o bom se acasalaram, catrapuz!
Você acha mesmo bacana esse verniz abóbora
ou tem medo de dizer que é medonho?
E aquele quadro (objeto)? Aquela pantalona?
Aquela poesia? Hem? O quê? Não ouço
a sua voz entre alto-falantes, não distingo
nenhuma voz nos sons vociferantes...
Desculpe, amor, se meu presente
é meio louco e bobo
e superado:
uns lábios em silêncio
(a música mental)
e uns olhos em recesso
(a infinita paisagem).

Drummond

Escrito por Jorge Tadeu às 18h37
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22/12/2006


Amor 

 

Amemos! Quero de amor

Viver no teu coração!

Sofrer e amar essa dor

Que desmaia de paixão!

Na tu'alma, em teus encantos

E na tua palidez

E nos teus ardentes prantos

Suspirar de languidez!

 

Quero em teus lábio beber

Os teus amores do céu,

Quero em teu seio morrer

No enlevo do seio teu!

Quero viver d'esperança,

Quero tremer e sentir!

Na tua cheirosa trança

Quero sonhar e dormir!

 

Vem, anjo, minha donzela,

Minha'alma, meu coração!

Que noite, que noite bela!

Como é doce a viração!

E entre os suspiros do vento

Da noite ao mole frescor,

Quero viver um momento,

Morrer contigo de amor!

 

Álvares de Azevedo

Escrito por Jorge Tadeu às 13h15
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Depois do Sol... 

 

Fez-se noite com tal mistério,

Tão sem rumor, tão devagar,

Que o crepúsculo é como um luar

Iluminando um cemitério...

 

Tudo imóvel... Serenidades...

Que tristeza, nos sonhos meus!

E quanto choro e quanto adeus

Neste mar de infelicidades!

 

Oh! Paisagens minhas de antanho...

Velhas, velhas... Nem vivem mais...

- As nuvens passam desiguais,

Com sonolência de rebanho...

 

Seres e coisas vão-se embora...

E, na auréola triste do luar,

Anda a lua, tão devagar,

Que parece Nossa Senhora

 

Pelos silêncios a sonhar...

 

Cecília Meireles

Escrito por Jorge Tadeu às 13h13
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Amor - pois que é palavra essencial 

  

 Amor - pois que é palavra essencial

comece esta canção e toda a envolva.

Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,

reúna alma e desejo, membro e vulva.

Quem ousará dizer que ele é só alma?

Quem não sente no corpo a alma expandir-se

até desabrochar em puro grito

de orgasmo, num instante de infinito?

O corpo noutro corpo entrelaçado,

fundido, dissolvido, volta à origem

dos seres, que Platão viu completados:

é um, perfeito em dois; são dois em um.

Integração na cama ou já no cosmo?

Onde termina o quarto e chega aos astros?

Que força em nossos flancos nos transporta

a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris,

já tudo se transforma, num relâmpago.

Em pequenino ponto desse corpo,

a fonte, o fogo, o mel se concentraram.

Vai a penetração rompendo nuvens

e devassando sóis tão fulgurantes

que nunca a vista humana os suportara,

mas, varado de luz, o coito segue.

E prossegue e se espraia de tal sorte

que, além de nós, além da prórpia vida,

como ativa abstração que se faz carne,

a idéia de gozar está gozando.

E num sofrer de gozo entre palavras,

menos que isto, sons, arquejos, ais,

um só espasmo em nós atinge o climax:

é quando o amor morre de amor, divino.

Quantas vezes morremos um no outro,

nu úmido subterrâneoda vagina,

nessa morte mais suave do que o sono:

a pausa dos sentidos, satisfeita.

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,

estendidos na cama, qual estátuas

vestidas de suor, agradecendo

o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

 

Carlos Drummond de Andrade

Escrito por Jorge Tadeu às 13h12
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Horas de Saudade 

 

Tudo vem me lembrar que tu fugiste,

Tudo que me rodeia de ti fala.

Inda a almofada, em que pousaste a fronte

O teu perfume predileto exala

 

No piano saudoso, à tua espera,

Dormem sono de morte as harmonias.

E a valsa entreaberta mostra a frase

A doce frase qu'inda há pouco lias.

 

As horas passam longas, sonolentas...

Desce a tarde no carro vaporoso...

D'Ave-Maria o sino, que soluça,

É por ti que soluça mais queixoso.

 

E não vens te sentar perto, bem perto

Nem derramas ao vento da tardinha,

A caçoula de notas rutilantes

Que tua alma entornava sobre a minha.

 

E, quando uma tristeza irresistível

Mais fundo cava-me um abismo n'alma,

Como a harpa de Davi teu riso santo

Meu acerbo sofrer já não acalma.

 

É que tudo me lembra que fugiste.

Tudo que me rodeia de ti fala...

Como o cristal da essência do oriente

Mesmo vazio a sândalo trescala.

 

No ramo curvo o ninho abandonado

Relembra o pipilar do passarinho.

Foi-se a festa de amores e de afagos...

Eras — ave do céu... minh'alma — o ninho!

 

Por onde trilhas — um perfume expande-se

Há ritmo e cadência no teu passo!

És como a estrela, que transpondo as sombras,

Deixa um rastro de luz no azul do espaço...

 

E teu rastro de amor guarda minh'alma,

Estrela que fugiste aos meus anelos!

Que levaste-me a vida entrelaçada

Na sombra sideral de teus cabelos!...

 

Castro Alves

Escrito por Jorge Tadeu às 13h10
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13/12/2006


      FÊMEA, MULHER

      Femêa, fera, ferida, felina, garras afiadas...
      Mulher, olhos brilhantes, cor azul, penetrantes...
      Femêa, boca húmida, gulosa, pecadora e perigosa...
      Mulher, corpo quente, profano, sinuoso como serpente...
      Femêa, curvas generosas, derrapantes, traiçoeiras e perigosas...
      Mulher, língua, lânguida, lâmina cortante, fio solto e brilhante...
      Femêa, colo que distrai, que me atrai, me faz viajante...
      Mulher, braços que me envolvem nas carícias que me dás...
      Femêa, quadris cativantes, pernas arqueadas, montadas galopantes...
      Mulher de prazer infinito, infundado, profundo, enterrado...
      Femêa de beijos molhados, trocados, línguas amadas entrelaçadas...
      Mulher de espasmos, tremores, calores, suores e odores...
      Femêa de líquidos, fluidos, seivas, sabores de amores...

    

     Escorpianas

Escrito por Jorge Tadeu às 11h03
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08/12/2006


Paisagem Noturna

A sombra imensa, a noite infinita enche o vale...
E lá no fundo vem a voz
Humilde e lamentosa
Dos pássaros da treva. Em nós,
- Em noss'alma criminosa,
O pavor se insinua...

Um carneiro bale.
Ouvem-se pios funerais.
Um como grande e doloroso arquejo
Corta a amplidão que a amplidão continua...
E cadentes, metálicos, pontuais,
Os tanoeiros do brejo,
- Os vigias da noite silenciosa,
Malham nos aguaçais.

Pouco a pouco, porém, a muralha de treva
Vai perdendo a espessura, e em breve se adelgaça
Como um diáfano crepe, atrás do qual se eleve
A sombria massa
Das serranias.

O plenilúnio vai romper...Já da penumbra
Lentamente reslumbra
A paisagem de grandes árvores dormentes.
E cambiantes sutis, tonalidades fugidias,
Tintas deliquescentes
Mancham para o levante as nuvens langorosas.

Enfim, cheia, serena, pura,
Como uma hóstia de luz erguida no horizonte,
fazendo levantar a fronte
Dos poetas e das almas amorosas,
Dissipando o temor nas consciências medrosas
E frustrando a emboscada a espiar na noite escura,
- A Lua
Assoma à crista da montanha.

Em sua luz se banha
A solidão cheia de vozes que segredam...
Em voluptuoso espreguiçar de forma nua
As névoas enveredam
No vale. São como alvas, longas charpas
Suspensas no ar ao longo das escarpas.
Lembram os rebanhos de carneiros
Quando,
fugindo ao sol a pino,
Buscam oitões, adros hospitaleiros
E lá quedam tranqüilos ruminando...
Assim a névoa azul paira sonhando...
As estrelas sorriem de escutar
As baladas atrozes
Dos sapos.
E o luar úmido...fino...
Amávico...tutelar...
Anima e transfigura a solidão cheia de vozes...

Manuel Bandeira

Escrito por Jorge Tadeu às 13h11
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Canção do Amor Imprevisto

 

Eu sou um homem fechado.

O mundo me tornou egoísta e mau.

E minha poesia é um vicio triste,

Desesperado e solitário

Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com tua boca fresca de madrugada,

Com teu passo leve,

Com esses teus cabelos...

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria atônita...

A súbita alegria de um espantalho inútil

Aonde viessem pousar os passarinhos!

 

Mário Quintana

Escrito por Jorge Tadeu às 13h08
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Serenata

 

Permita que eu feche os meus olhos,

pois é muito longe e tão tarde!

Pensei que era apenas demora,

e cantando pus-me a esperar-te.

 

Permite que agora emudeça:

que me conforme em ser sozinha.

Há uma doce luz no silencio,

e a dor é de origem divina.

 

Permite que eu volte o meu rosto

para um céu maior que este mundo,

e aprenda a ser dócil no sonho

como as estrelas no seu rumo.

 

Cecília Meireles

Escrito por Jorge Tadeu às 13h03
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, JABAQUARA, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese, Spanish
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